Hoje, 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher, justo e necessário. Apesar de achar justo e necessário não serei um daqueles que sai por aí distribuindo abraços e parabéns às mulheres porque hoje, em tese, seria o dia delas, não enviarei mensagens pela internet, nem comprarei flores. Também não serei o chato que sai por aí dizendo que Dia da Mulher é todo dia, no fundo para justificar que mal lembra da importância da mulher no dia 8 de março, e menos ainda nos outros dias do ano.
Mesmo que fosse minha vontade, eu não poderia restringir a lembrança da figura da mulher e tudo que a envolve a apenas um dia do ano. Fui criado em uma casa com duas mulheres e apenas isso. Com as mulheres de minha casa, desde quando eu era apenas menino, tive o exemplo da justiça, da força, da dedicação e do amor; não só, aprendi a compreender a fraqueza, a entender a fragilidade, a aceitar a tristeza. Com as mulheres de minha casa, aprendi a respeitar a grandeza da mulher, a entender que o Feminino tem algo de divino, e é preciso ter reverência; com elas, aprendi a ser o homem que sou.
De casa para o mundo, o primeiro exemplo daquilo que eu já bem conhecia foram as professoras. Vá saber, o que é trabalhar 8 horas, dar o melhor de si, enfrentar todas as mazelas que quem trabalha enfrenta e antes e depois disso cuidar da casa, dos filhos, do cabelo, da pele, da TPM, do grande amor. Ainda me lembro daquela elegante senhora negra que nos contava sobre a Europa que conheceu pessoalmente no tempo que não era qualquer um que ia pra lá, e que ensinando história nos tornou melhores cidadãos. Ainda na escola, vieram amigas e as paixões da adolescência.
Hoje, depois de haver encontrado o derradeiro amor, depois de haver me casado, depois de passar todos os dias com a minha melhor mulher do mundo, posso dizer com propriedade que não preciso do 8 de março para agradecer. Experimento diariamente de tudo que uma mulher pode oferecer, enquanto amante, enquanto amiga, enquanto sócia, enquanto filha de uma sogra incrível. Também diariamente agradeço, sendo o melhor sujeito que posso ser.
Aliás, risco que não corro é o de parecer piegas, se o que me lê é um dos que me conhece. Se me conhece, sabe que não tenho vergonha de às vezes ser mais feminista que muita mulher, e não condenar as que não são. Há quem conte a história de que no princípio o homem foi o protótipo da criação, e que a mulher foi o aperfeiçoamento. Me permito pensar diferente e dizer que, se houve um princípio criador, a mulher veio primeiro, sendo o resultado da força e do poder da criação, sendo a real imagem e semelhança da divindade e não menos deusa por ser humana. E ai daquele que não reconhece uma divindade estando diante dela. A benção, Rosa Luxemburgo. Salve, Olga Benário Prestes. Saravá, Pagú!
*Créditos da imagem: Pixel Addict




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